Hoje
foste noite em mim.
Anoiteceste-me em
prol dos teus enganos.
Apareceste e
trouxeste-me o amanhecer,
Os teus olhos e o
que de ti falta em mim.
Acordaste o meu
sono e, sem perguntares, mergulhaste nas minhas profundezas, nas minhas poucas
horas de descanso de ti, onde pensava eu serem transparentes, sem risco de
entrares.
Mas, esta noite, o
meu Eu foi-te buscar, quer estivesses na cama da outra ou na que outrora me
deitei e acreditei que éramos só nós.
Acordei com frio,
quando te foste embora.
Deixaste nada mais
que saudade.
Levaste o amor que
algum dia me tiveste e as linhas das mãos onde naveguei quando quis ir para
longe contigo.
Ao abrir os meus,
esta manhã, lembrei-me de ver as pétalas das rosas vermelhas que me ofereceste
a murcharem. Caíam de forma crescente mas discreta, quando ninguém olhava.
Agora sou eu, de
forma menos esbelta, que te vejo a passar pelos dias sem sequer olhar para ti,
sem me dares a mão, enquanto os dias passam por mim.
Se me visitas é nos
sonhos.
E para te sonhar
não preciso de me deixar adormecer.

