sábado, 26 de setembro de 2015

Hoje foste noite em mim

Hoje foste noite em mim.

Anoiteceste-me em prol dos teus enganos.
Apareceste e trouxeste-me o amanhecer,
Os teus olhos e o que de ti falta em mim.
Acordaste o meu sono e, sem perguntares, mergulhaste nas minhas profundezas, nas minhas poucas horas de descanso de ti, onde pensava eu serem transparentes, sem risco de entrares.
Mas, esta noite, o meu Eu foi-te buscar, quer estivesses na cama da outra ou na que outrora me deitei e acreditei que éramos só nós.
Acordei com frio, quando te foste embora.
Deixaste nada mais que saudade.
Levaste o amor que algum dia me tiveste e as linhas das mãos onde naveguei quando quis ir para longe contigo.
Ao abrir os meus, esta manhã, lembrei-me de ver as pétalas das rosas vermelhas que me ofereceste a murcharem. Caíam de forma crescente mas discreta, quando ninguém olhava.
Agora sou eu, de forma menos esbelta, que te vejo a passar pelos dias sem sequer olhar para ti, sem me dares a mão, enquanto os dias passam por mim.
Se me visitas é nos sonhos.

E para te sonhar não preciso de me deixar adormecer.

Saudades

Saudades de ser. De te ter.
A vida cheia de nada,
As máscaras utópicas na tua falsa presença.
Escrevo-te diariamente.
Escrevo-te porque não te toco.
Almas vivas no rodopio da cidade.
Observa.
As vivências que escrevi com as pontas dos teus dedos são agora borracha queimada que corrói os segundos desde que me levanto cedo para pensar em como resolver este equívoco que foste.
Tu, que fugiste.
E as minhas forças já não são as mesmas de quando te puxava pelas mãos pelas ruas.
Vou agora a cambalear.
És os passos que piso descalça.
O vazio que me embala até ao desconhecimento
De mim, de nós
Cada arrepio
O medo da solidão de nós os dois
O frio de um quarto numa tarde de verão

Ainda (h)a esperança

O quase tudo e nada que me deixaste
E o tudo e nada que já não são.
A tinta que gastei em Amo-te porque não tenho razões para te odiar.
E que me caia o teto em cima quando deixar de te amar.
A folha em branco que és agora que já ninguém te escreve.
As memórias que deixaste nesta alma tão nua.
As saudades.
As saudades.
As saudades.
Onde estás – pergunto-me

Preciso-te de volta.

domingo, 16 de novembro de 2014

A Mais Perfeita Imagem

Se eu varresse todas as manhãs as pequenas 
agulhas que caem deste arbusto e o chão 
que lhes dá casa, teria uma metáfora perfeita para 
o que me levou a desamar-te. Se todas as manhãs 
lavasse esta janela e, no fulgor do vidro, além 
do meu reflexo, sentisse distrair-se a transparência 
que o nada representa, veria que o arbusto não passa 
de um inferno, ausente o decassílabo da chama. 
Se todas as manhãs olhasse a teia a enfeitar-lhe os 
ramos, também a entendia, a essa imperfeição 
de Maio a Agosto que lhe corrompe os fios e lhes 
desarma geometria. E a cor. Mesmo se agora visse 
este poema em tom de conclusão, notaria como o seu 
verso cresce, sem rimar, numa prosódia incerta e 
descontínua que foge ao meu comum. O devagar do 
vento, a erosão. Veria que a saudade pertence a outra 
teia de outro tempo, não é daqui, mas se emprestou 
a um neurônio meu, unia memória que teima ainda 
uma qualquer beleza: o fogo de uma pira funerária. 
A mais perfeita imagem da arte. E do adeus. 

Ana Luísa Amaral, in 'A Arte de Ser Tigre'

sábado, 12 de julho de 2014

7 Months

This is my man. He's the one I love and who I belong to. Only 7 months of true love and our lifes have already changed so much.

He showed me life.

            I love him so much ♥